dono de hotel pet é denunciado por maus tratos após morte de cadela em onda de calor no rj

Dono de hotel pet é denunciado por maus-tratos após morte de cadela em onda de calor no RJ

MP denuncia responsável por hotel pet por maus-tratos após morte de cadela

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou uma denúncia por maus-tratos contra o responsável pela Mansão Pet, um estabelecimento de hospedagem para cães localizado em Guaratiba, na zona oeste da capital fluminense. A acusação está diretamente ligada à morte de Mia, uma cadela da raça Golden Retriever de apenas 11 meses, ocorrida em fevereiro de 2025 enquanto estava sob os cuidados do local.

Condições inadequadas em onda de calor intenso

De acordo com a denúncia, formalizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da área Santa Cruz, o denunciado, Mario Sergio Belo Dornelas, teria exposto Mia a condições inadequadas durante um período de intensa onda de calor que atingiu o Rio de Janeiro. O MPRJ entende que o cuidador assumiu o risco de causar a morte do animal, configurando dolo eventual.

A promotoria ressalta que o denunciado tinha pleno conhecimento das necessidades específicas da raça Golden Retriever, que possui pelagem dupla e, consequentemente, maior dificuldade em regular sua temperatura corporal. Mesmo ciente disso, teria mantido Mia em um ambiente incompatível com seu bem-estar, sem implementar as medidas necessárias para mitigar os efeitos do calor extremo.

Omissão de socorro e ocultação do corpo

A denúncia detalha que, ao notar o agravamento do estado de saúde de Mia, Mario Sergio não buscou atendimento veterinário imediato. Após a morte da cadela, o responsável teria optado por enterrar o corpo no quintal da propriedade. A ação é vista pelo MP como uma tentativa de ocultar o ocorrido e se eximir de responsabilidade criminal.

Em um desdobramento da investigação, apurou-se que o responsável pela hospedagem informou falsamente à tutora de Mia que a cadela havia fugido do local. Essa versão levou a família a registrar um boletim de ocorrência por desaparecimento. Posteriormente, confrontado com evidências coletadas durante as apurações, Mario Sergio teria admitido o crime em um áudio enviado a terceiros. O corpo de Mia foi, de fato, localizado enterrado no quintal do imóvel.

Buscas e resgate de outros animais

O caso ganhou grande repercussão pública após duas semanas de intensas buscas pela cadela. Mia havia sido deixada na Mansão Pet em 9 de janeiro, inicialmente para uma estadia de três dias. O adestrador, contudo, sugeriu a extensão do período para um treinamento de 30 dias, e posteriormente solicitou mais 15 dias para a conclusão do serviço.

A previsão de retorno de Mia para casa era 14 de fevereiro. No entanto, um dia antes, os tutores foram informados sobre a suposta fuga do animal. As buscas mobilizaram voluntários do grupo “Nas Garras da Lei”, composto por agentes de segurança pública. Durante as investigações, foram identificadas contradições no relato do responsável pelo estabelecimento.

Na operação que resultou na localização do corpo de Mia e na denúncia, outros três cães foram resgatados da hospedagem em condições consideradas precárias. O caso segue em tramitação na 17ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

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