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Um vídeo que viralizou nas redes sociais está lançando luz sobre um aspecto pouco discutido no universo dos tutores de pets: os desafios de comportamento em cães conhecidos por sua alta inteligência. O adestrador Guilherme Repullio, em imagens que circulam online, detalha o funcionamento de um centro especializado em reabilitação canina e expõe um fato surpreendente: o **Border Collie** é a raça mais frequente nos atendimentos do local. Contrariando a crença popular, a popularidade da raça não está ligada à facilidade de treinamento, mas exatamente ao oposto.
“A raça mais desequilibrada que passa aqui no meu centro de treinamento é aquela ali, ó. O Border Collie”, afirma Repullio no vídeo. Ele enfatiza que os casos que chegam ao centro frequentemente envolvem problemas sérios como **ansiedade, reatividade, agressividade e medo extremo**. Segundo o profissional, muitos tutores se deixam levar pela fama de ser o “cachorro mais inteligente do mundo” sem, contudo, compreenderem as profundas e específicas necessidades deste animal.
“Cuidado com aquela fantasia do cachorro mais inteligente do mundo, porque isso não significa que ele vem equilibrado, dócil e educado. Na verdade, ele é um cachorro extremamente sensível”, alerta o adestrador. Essa sensibilidade, quando não direcionada corretamente, pode se manifestar de formas problemáticas.
Durante a gravação, Guilherme Repullio detalha que a raça possui características genéticas intrínsecas ligadas ao **hiperfoco e a um estado constante de alerta**. Essas características, essenciais para a função original da raça como cão de pastoreio, exigem **estímulos físicos e mentais diários intensos**. Sem o devido direcionamento, esses traços genéticos podem se tornar a raiz de comportamentos indesejados.
“É uma raça que tem mais neurotransmissores relacionados a hiperfoco, a alerta, que é a noradrenalina”, explica o especialista. Quando esses impulsos naturais não são canalizados de forma adequada, comportamentos compulsivos e respostas agressivas podem surgir, mesmo em cães que não sofreram qualquer tipo de maus-tratos. A falta de atividades que satisfaçam sua mente ágil e seu corpo ativo é um gatilho significativo.
O vídeo também destaca que muitos dos problemas comportamentais observados em Border Collies estão diretamente associados à **falta de socialização adequada e à exposição inadequada a ambientes variados**. Um cão que não é exposto a diferentes sons, cheiros, pessoas e outros animais desde cedo pode se tornar excessivamente reativo ou medroso diante de estímulos novos ou inesperados.
“A maioria dos cães não precisam apanhar para desenvolver esse medo. A falta de socialização e a exposição inadequada aos ambientes faz o cachorro sentir demais a pressão ambiental”, afirma Repullio. Isso significa que a ausência de experiências positivas e controladas pode levar o cão a interpretar o mundo como um lugar ameaçador, desencadeando reações de defesa ou fuga.
Apesar do alto número de casos que chegam ao centro de reabilitação, o adestrador faz questão de ressaltar que a reabilitação desses cães é totalmente possível. Com o manejo correto, treinamento específico e a compreensão das necessidades da raça, o Border Collie pode, sim, ser um companheiro equilibrado e feliz.
“Vai ser só mais uma border collie que vai ser reabilitada e voltar a ter o equilíbrio emocional aqui pela NeuroDog”, conclui o especialista, transmitindo uma mensagem de esperança para os tutores que enfrentam desafios com seus cães de alta inteligência. A chave está em reconhecer e atender às demandas únicas dessa raça extraordinária, transformando seu potencial em comportamento positivo e bem-estar.