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Em Uberlândia, um cachorro de rua tem gerado pânico e prejuízos no bairro Alto Umuarama, danificando veículos e assustando moradores. As autoridades ainda não encontraram uma solução para a situação.
Moradores do bairro Alto Umuarama, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, estão vivendo uma rotina de apreensão e prejuízo. Um cachorro, que surgiu na região há alguns meses, tem sido o pivô de diversos incidentes, desde a danificação de veículos estacionados até sustos em crianças e ferimentos em pedestres. Embora muitos considerem a situação uma brincadeira, os relatos dos moradores indicam um cenário grave e sem solução aparente.
A situação se tornou um verdadeiro pesadelo, com o animal apresentando um comportamento agressivo que já causou arranhões em carros, pneus rasgados e até ferimentos em uma moradora que precisou se vacinar contra raiva após ser atacada. O caso ganhou repercussão após reportagem do g1 em 2026, que destacou a angústia dos moradores e a aparente falta de ação dos órgãos competentes.
O cachorro, sem nome definido, surgiu no bairro Alto Umuarama com o início de uma obra na avenida João Pinheiro. Inicialmente, trabalhadores da construção passaram a alimentá-lo e permiti-lo dormir no local, o que fez com que o animal se instalasse de vez na região. O que parecia inofensivo logo se transformou em um problema sério.
Segundo relatos, o cachorro tem o hábito de subir nos carros estacionados para cochilar, o que resulta em significativos danos à pintura dos veículos. Uma moradora, que preferiu não se identificar, lamentou um episódio: “Teve uma vez que uma amiga veio me visitar e eu simplesmente esqueci do cachorro. Quando ela foi embora, além da lataria do carro dela ter ficado toda arranhada, ele ainda havia rasgado os pneus”.
Além dos danos materiais, o animal tem provocado medo. Câmeras de monitoramento registraram um incidente em que o cachorro pulou em uma moradora que retornava ao seu condomínio. A vítima relatou os ferimentos:
“Eu já acionei a Prefeitura e eles me disseram que não poderiam fazer nada já que não há um canil municipal. Muita gente está achando que é brincadeira, que ele fica nos recepcionando com os pulos, mas não é, ele sobe em carros, assusta crianças e fere pessoas.”
Após o ocorrido, a moradora precisou se vacinar contra raiva, evidenciando a gravidade do comportamento do animal.
Diante dos crescentes problemas, os moradores do condomínio na avenida João Pinheiro se uniram para buscar soluções, acionando a Prefeitura de Uberlândia, o Corpo de Bombeiros e o Centro de Controle de Zoonoses. Contudo, a resposta tem sido frustrante.
A Prefeitura informou que não poderia intervir pela ausência de um canil municipal. Ao contatar a Zoonoses, os moradores foram orientados a acionar os bombeiros. Quando os bombeiros compareceram ao local, a situação se mostrou desafiadora, como relembrou uma moradora:
“Eles até vieram aqui e disseram para nós que o animal possui oscilação de comportamento e pediram apenas que o pessoal parasse de alimentá-lo para que ele fosse embora. Na ocasião, eu até mostrei meus braços com hematomas, mas não adiantou, enquanto o bombeiro falava o animal até mordia a botina dele.”
Essa falta de ação eficaz tem gerado um sentimento de insegurança profundo entre os moradores. Muitos alegam que sentem ter perdido a liberdade de ir e vir, especialmente em relação à segurança de crianças. Um pai de 12 anos de idade expressou sua preocupação, afirmando que não se sente seguro em deixar o filho sozinho.
Do ponto de vista técnico, a permanência do cachorro na rua representa um risco claro. O médico-veterinário Cláudio Yudi enfatiza que, para o bem-estar animal e a segurança da população, o cão deve ser retirado do local. Ele destaca que o animal já demonstrou um comportamento capaz de causar lesões, principalmente em pessoas mais vulneráveis, como crianças e idosos.
Além disso, a presença de um cão solto de grande porte pode ocasionar acidentes de trânsito, interferir na circulação de pedestres, perseguir ciclistas e veículos, e aumentar o risco de brigas com outros animais devido ao seu comportamento territorial. Segundo o especialista, a medida mais adequada seria o recolhimento do animal por um órgão municipal, com encaminhamento para um local seguro e apropriado.
Após a retirada, o cão deveria ser levado a uma estrutura de acolhimento temporário, como um abrigo, uma ONG parceira ou uma unidade pública, onde receberia o manejo adequado e cuidados veterinários.
Mesmo com os meses de problemas, os moradores afirmam que seu desejo é que o animal tenha um destino digno e seja bem cuidado, mas a situação atual tem causado um grande desgaste e deixado a comunidade chateada. A busca por uma solução que garanta tanto a segurança dos cidadãos quanto o bem-estar do cachorro continua sendo um desafio em Uberlândia.