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Estudo do Royal Veterinary College revela que cães 'designer' podem ter mais comportamentos indesejáveis como ansiedade e agressividade. Saiba mais.
Cães resultantes de cruzamentos específicos, popularmente conhecidos como “designer”, como os cockapoos e labradoodles, podem exibir um número maior de comportamentos indesejáveis quando comparados a seus parentes de raça pura. Uma pesquisa recente conduzida pelo Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, analisou dados de 9.402 cães e sugere que a percepção comum de que essas misturas são inerentemente mais fáceis de treinar e manejar pode não corresponder à realidade, especialmente em relação à ansiedade, agressividade e dificuldades gerais de treinamento.
A fama dos cães “designer” muitas vezes advém da combinação com poodles, buscando características desejáveis. Contudo, os achados do estudo, publicados em 2026, indicam que esses cães diferiram dos progenitores de raça pura em mais da metade das comparações comportamentais. O que é particularmente preocupante é que, em 82% dos casos onde um dos pais apresentava algum comportamento problemático, os filhotes demonstraram uma versão mais acentuada desse mesmo comportamento. Entre os sinais avaliados estavam medos de barulhos e tráfego, problemas de separação e altos níveis de excitação.
Muitos tutores relataram desafios significativos no treinamento de seus cães “designer” e até mesmo dificuldade em deixá-los sozinhos em casa. No caso específico dos cockapoos, a pesquisa identificou uma tendência maior à agressividade e à rivalidade com outros cães. Segundo os pesquisadores, características herdadas das raças parentais podem se intensificar nos cruzamentos, gerando comportamentos mais desafiadores.
Um exemplo claro dessa intensificação pode ser visto em cruzamentos que envolvem o cocker spaniel, conhecido por sua alta energia e resistência, traços desenvolvidos para atividades de caça. Quando combinados com a inteligência e atividade do poodle, e considerando o porte geralmente menor dos cruzamentos, esses fatores podem resultar em comportamentos mais intensos e difíceis de manejar em um ambiente doméstico.
A pesquisadora Rowena Packer, autora sênior do estudo, enfatiza a gravidade da situação: “Esses não são comportamentos que devemos ignorar. Eles não são benignos”. Ela também alerta para o risco de expectativas equivocadas, como a crença de que cães “designer” são naturalmente mais seguros com crianças, uma ideia que pode ser perigosa se não for baseada em evidências concretas.
O estudo também apontou diferenças notáveis no perfil dos tutores de cães de raça pura e de raças mistas. Aqueles que optam por cães “designer” são, em maior probabilidade, tutores de primeira viagem e tendem a buscar informações em fontes menos profissionais, como redes sociais, amigos ou familiares. Essa característica pode impactar diretamente o manejo e a socialização dos animais, potencialmente contribuindo para o desenvolvimento de comportamentos indesejados.
“Esses não são comportamentos que devemos ignorar. Eles não são benignos” — Rowena Packer, autora sênior do estudo.
A pesquisa trouxe um relato impactante de uma tutora que adquiriu uma cockapoo acreditando na sua suposta facilidade de manejo, impulsionada pela popularidade da raça. Contudo, a cadela começou a apresentar comportamentos ansiosos e agressivos, chegando a morder familiares em diversas ocasiões. O animal necessitou de medicação e acompanhamento comportamental especializado. A tutora relatou uma significativa perda de confiança na convivência com a cadela, especialmente em ambientes externos ou na presença de crianças.
Apesar dos achados importantes sobre os cães “designer”, é crucial reforçar que o comportamento canino não é determinado exclusivamente pela genética. Fatores como saúde, socialização, experiências de vida, ambiente e até mesmo o estresse materno durante a gestação desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do animal. Organizações renomadas, como a Dogs Trust, reforçam que a raça, por si só, não é um indicador confiável do comportamento individual.
Práticas como a criação responsável, a socialização adequada desde filhote e o acompanhamento profissional são pilares essenciais para o desenvolvimento equilibrado de qualquer cão. Adicionalmente, o aumento da popularidade de certas raças pode, infelizmente, estimular práticas de reprodução inadequadas e comércio irregular, o que afeta negativamente a saúde e o comportamento dos animais.
Este estudo reforça a necessidade imperativa de que futuros tutores realizem uma pesquisa aprofundada sobre as características das raças, sejam elas puras ou cruzadas, antes de tomar a decisão de adquirir um animal. Buscar orientação de profissionais qualificados, conhecer o temperamento dos pais do filhote e compreender as necessidades físicas e comportamentais específicas do cão são etapas essenciais para alinhar expectativas e garantir uma convivência harmoniosa e saudável. Mais do que seguir tendências, a escolha de um companheiro canino deve ser guiada pelo preparo, conhecimento e um compromisso inabalável com o bem-estar do animal ao longo de toda a sua vida.