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Entenda como a cannabis medicinal auxilia no controle da dor e na reabilitação comportamental de cavalos, segundo a veterinária Katia Ferraro.
A reabilitação de cavalos tem encontrado na cannabis medicinal uma aliada surpreendente. Para além do alívio da dor, essa terapia tem demonstrado a capacidade de reorganizar o comportamento e reduzir o estresse, contribuindo para uma recuperação mais estável.
A médica veterinária Katia Ferraro, presidente da Comissão de Cannabis do CRMV-SP, compartilha sua experiência clínica, destacando que os efeitos positivos da cannabis na fisioterapia equina vão desde o controle da dor até a melhora significativa na qualidade de vida dos animais durante o tratamento. A aplicação, contudo, exige conhecimento técnico e individualização.
A especialista aponta que o uso do óleo de cannabis permite uma maior estabilidade nos animais, especialmente em períodos de confinamento, comuns em processos de reabilitação. Os canabinoides atuam com propriedades anti-inflamatórias e analgésicas.
“Quando a gente faz um programa de cannabis para o uso do óleo, durante o tratamento e a reabilitação desse animal, que às vezes leva três meses, pode levar muito mais até, a gente mantém esse animal mais tranquilo 24 horas”, explica a veterinária. Isso significa que o cavalo se mantém mais calmo na baia, evitando comportamentos destrutivos como escorçar a parede ou tentar cavar por conta do confinamento.
A tranquilidade proporcionada pela cannabis durante 24 horas ao dia resulta em uma melhor qualidade de vida para o animal, com menor risco de lesões associadas ao estresse e ao confinamento. Esse equilíbrio é fundamental para reduzir o risco de recidivas e favorecer a evolução clínica.
O uso da cannabis também se mostra uma alternativa mais estável em comparação a medicações injetáveis com efeitos pontuais. A ação contínua do óleo garante que o animal permaneça mais sereno ao longo de todo o processo terapêutico.
A experiência pessoal de Katia Ferraro com dor crônica a impulsionou a estudar o sistema endocanabinoide e suas aplicações terapêuticas em animais. Ela relata que, após controlar sua própria dor crônica com óleo de cannabis, decidiu investigar o potencial da substância para os animais sob seus cuidados.
“Quando eu entendi o quão potente é o controle de dor que a gente consegue com a cannabis. Mas eu comecei isso extremamente timidamente, realmente por conta do preconceito. Eu tinha um pouco de receio.”
Apesar dos resultados positivos observados na prática clínica, a disseminação do uso da cannabis na veterinária ainda enfrenta um grande desafio: o preconceito. Ampliar o acesso à informação de qualidade e incentivar a formação técnica especializada são passos cruciais para consolidar essa terapia no meio veterinário.