Veterinária examina gato com suspeita de esporotricose.

Casos de esporotricose disparam em humanos na Bahia; saiba o que é e como proteger seu pet

A esporotricose tem alta na Bahia. Entenda o que é essa micose, seus sintomas, como ela afeta humanos e pets, e as medidas essenciais de prevenção e tratamento.

Casos de esporotricose disparam em humanos na Bahia; saiba o que é e como proteger seu pet

A Bahia tem registrado um aumento expressivo nos casos de esporotricose em humanos, uma condição que também afeta significativamente os animais, especialmente os gatos. Desde março de 2025, a doença se tornou de notificação compulsória em todo o país, exigindo que unidades de saúde registrem casos suspeitos e confirmados. O estado já vinha atuando no diagnóstico e tratamento antes mesmo da determinação federal, pressionado pelo alto número de infecções em Salvador e cidades vizinhas.

A esporotricose é uma micose causada por um fungo do gênero Sporothrix. Ela se manifesta principalmente através de lesões na pele, que podem começar como pequenos nódulos e evoluir para úlceras abertas e com secreção. Estas feridas têm dificuldade em cicatrizar e podem se espalhar pelo corpo. A doença, popularmente conhecida como ‘doença do gato’, embora afete felinos com maior frequência, não se restringe a eles.

Entendendo a esporotricose

Os gatos são os principais alvos e, ao mesmo tempo, transmissores da esporotricose. A médica veterinária Paloma Santana explica que disputas territoriais, conflitos com outros animais e comportamentos específicos dos felinos contribuem para a maior incidência da doença entre eles.

O tratamento, tanto para humanos quanto para animais, é feito com medicamentos antifúngicos e tem duração mínima de três meses. A demora no início do tratamento pode comprometer a recuperação e permitir que a infecção se dissemine para outros órgãos, como o pulmão. “Quanto mais o paciente demorar para iniciar a recuperação, maior o prazo para recuperação”, alerta Paloma Santana.

Prevenção: um cuidado essencial

A prevenção é a chave para evitar a disseminação da esporotricose. Uma das medidas mais eficazes é o controle do acesso dos animais à rua. Animais errantes, sem supervisão, têm maior probabilidade de contrair doenças. Quando um gato frequenta locais desconhecidos, o risco de encontrar um animal infectado aumenta, e em brigas ou disputas, ele pode se contaminar e, ao retornar para casa, transmitir o fungo para outros pets e para seus tutores.

A médica veterinária Stéfany Figueirêdo reforça outros cuidados importantes:

  • Mantenha o acompanhamento veterinário dos pets em dia.
  • Em caso de tratamento, isole o animal infectado de outros pets.
  • Instale telas de proteção nas janelas para impedir que o animal saia.
  • Use luvas de proteção, avental e luvas descartáveis ao tratar animais doentes.
  • Higienize as mãos com água e sabão após contato com os felinos.
  • Evite contato direto com animais de rua, especialmente os que apresentam lesões suspeitas.
  • Ao trabalhar no jardim, use luvas, roupas e calçados adequados para evitar contato com solo ou plantas potencialmente infectados.
  • A castração reduz o interesse dos gatos em sair de casa, minimizando o risco de brigas e lesões.
  • Em caso de óbito do animal por esporotricose, a cremação é recomendada em vez do enterro, pois o fungo sobrevive na natureza.

Perfil dos infectados na Bahia

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) revelam um padrão demográfico. Entre 2021 e 2026, as mulheres representaram a maioria dos casos, com cerca de 64%. Em 2024, foram 650 infecções em mulheres contra 346 em homens.

A doença concentra-se no público adulto, com a faixa de 40 a 49 anos sendo a mais afetada (19% dos casos), seguida pelo grupo de 50 a 59 anos (17%). Segundo Stéfany Figueirêdo, isso está relacionado a quem geralmente cuida dos animais. “Frequentemente, as mulheres com idade entre 30 e 59 anos são as principais responsáveis pelos cuidados da casa ou cuidadoras de pets que têm contato direto com gatos doentes e/ou solo/matéria orgânica”, explica.

A esporotricose também apresenta predominância na população negra. Pessoas autodeclaradas pardas somam aproximadamente 50% dos casos, e as que se declaram pretas representam 20%, totalizando mais de 70% de infectados negros.

Geografia da doença

Geograficamente, a esporotricose é considerada um agravo urbano e metropolitano na Bahia. Salvador continua sendo o epicentro, mas a proporção de casos na capital em relação ao estado diminuiu de 59,1% em 2021 para 44,9% em 2025, indicando um crescimento mais acelerado em outras regiões.

Municípios da Região Metropolitana, como Camaçari, Lauro de Freitas e Dias d’Ávila, registram altos índices. Preocupante é o avanço para o interior. Feira de Santana, que não tinha casos em 2021, atingiu 127 registros em 2025, representando 13,3% dos casos baianos naquele ano. O aumento geral de casos na Bahia foi expressivo: de 269 em 2021 para 996 em 2024, um salto de quase 370%.

“Tanto em seres humanos quanto em animais, a demora no início desse tratamento pode diminuir a chance de cura. Ela começa com uma lesão, mas pode se disseminar e acometer órgãos internos, como o pulmão”, explica Paloma Santana, médica veterinária.

Acompanhar a saúde dos pets e adotar medidas preventivas são ações fundamentais para combater a esporotricose e garantir o bem-estar de toda a família, incluindo os animais de estimação.

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