Fragmento de crânio de cachorro antigo encontrado em sítio arqueológico.

Ciência identifica cão mais antigo a ter vivido com humanos

Cientistas identificam os restos de uma cachorrinha de 15,8 mil anos na Turquia como o cão mais antigo já conhecido, revelando mais sobre a relação ancestral.

Ciência identifica cão mais antigo a ter vivido com humanos

Pesquisadores identificaram os restos mortais de uma cachorrinha que viveu há aproximadamente 15,8 mil anos, na região que hoje corresponde à Turquia, como o cão mais antigo já conhecido pela ciência. Essa descoberta, divulgada em artigos publicados em março de 2026, antecipa em quase 5 mil anos a idade do cão mais antigo previamente registrado, adicionando um capítulo fascinante à história da domesticação e do vínculo entre humanos e caninos.

Os achados baseiam-se em um fragmento de crânio encontrado em Pinarbasi, um abrigo rochoso historicamente utilizado por caçadores-coletores. A análise de DNA desse achado revelou que a jovem cadela possuía “alguns meses de idade” e, segundo Laurent Frantz, da Universidade Ludwig Maximilian em Munique, um dos coautores de um estudo sobre a distribuição de cães no Paleolítico publicado na revista Nature, ela provavelmente se assemelhava a um pequeno lobo.

O papel dos cães na antiguidade

Ainda que a função exata dos cães na vida dos humanos antigos não seja totalmente clara, o pesquisador Laurent Frantz sugere que a relação ia além de meros utilitários. “As crianças já brincavam com filhotes”, observou ele, indicando uma interação que transcende a necessidade prática.

Anders Bergström, geneticista da Universidade de East Anglia (Reino Unido) e coautor dos estudos, complementa que os cães nem sempre possuíam “funções ou propósitos muito bem definidos” para os humanos. “Talvez sua função principal seja, muitas vezes, apenas oferecer companhia”, afirmou Bergström.

Evidências de um vínculo forte

O sítio arqueológico de Pinarbasi, que oferece um vislumbre da vida durante a última era glacial, apresenta evidências concretas de um elo entre as duas espécies. William Marsh, pesquisador do Instituto Francis Crick em Londres, detalha que o local exibe sepulturas onde cães foram encontrados enterrados ao lado de humanos.

Há também indícios de que os habitantes de Pinarbasi alimentavam seus cães com peixe, uma prática que demonstra um cuidado e uma integração notáveis em suas vidas cotidianas.

A origem dos cães

Os cães são considerados os primeiros animais a serem domesticados pelos seres humanos, descendendo dos lobos cinzentos. A distinção entre seus restos mortais e os de lobos pode ser desafiadora para os cientistas, mas as pesquisas apontam que as populações de cães e lobos se separaram há, no mínimo, 24 mil anos.

Estudos genômicos de cães europeus com 14,2 mil anos, encontrados na Suíça, sugerem que eles compartilham ancestrais comuns com cães da Ásia, indicando um evento de domesticação unificado. No entanto, como ressalta Bergström, as questões sobre “quando, onde e por que as pessoas domesticaram os cães ainda permanecem em grande parte sem resposta”. O geneticista sueco Pontus Skoglund descreve a existência de um “abismo genético entre cães e lobos”, e a busca pelo “elo perdido” continua.

A descoberta em Pinarbasi não apenas estabelece um novo recorde para o cão mais antigo conhecido, mas também aprofunda nossa compreensão sobre a longa e complexa jornada da domesticação canina e a relação duradoura entre humanos e seus fiéis companheiros.

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