Cão e gato exibindo sinais sutis de ansiedade.

Pets também sofrem com ansiedade, e sinais nem sempre são fáceis de perceber

Descubra como identificar os sinais de ansiedade em cães e gatos, causas comuns e quando buscar ajuda profissional. Artigo completo para o bem-estar do seu pet.

Pets também sofrem com ansiedade, e sinais nem sempre são fáceis de perceber

A ansiedade em animais de estimação é uma condição cada vez mais comum e que, frequentemente, passa despercebida pelos tutores. Mudanças sutis no comportamento, que podem indicar estresse, são muitas vezes confundidas com atitudes normais ou até interpretadas erroneamente como demonstrações de afeto. Compreender esses sinais é crucial para garantir a saúde e o bem-estar dos nossos companheiros.

Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi, responsável pelo setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube, os sinais iniciais de ansiedade em pets costumam ser discretos. Em cães, comportamentos como lamber repetidamente uma parte do corpo, bocejar fora do contexto de sono e apresentar tremores leves podem ser indicadores. Já em gatos, um comportamento de ‘congelamento’ em certas situações, que pode parecer tranquilidade, na verdade, pode ser uma resposta de medo ou estresse.

Mudanças na rotina e a ansiedade por separação

Entre as principais causas da ansiedade em pets estão as mudanças na rotina, a ausência prolongada dos tutores e a falta de estímulos adequados. O problema ganhou atenção especial após a pandemia de COVID-19, período que trouxe alterações bruscas no convívio entre humanos e animais. “Houve um aumento expressivo de casos de ansiedade por separação. A mudança de rotina criou instabilidade para os animais”, afirma o especialista.

A chamada síndrome de ansiedade por separação é uma das formas mais comuns. Os sintomas podem se manifestar antes mesmo da saída do tutor. “Alguns animais apresentam agitação, outros ficam apáticos. Quando ficam sozinhos, podem latir, uivar, destruir objetos e até vomitar ou fazer necessidades fora do lugar”, detalha Yudi.

Sinais em gatos e a lambedura excessiva

Em gatos, além da agitação e apatia, também são comuns mudanças de comportamento relacionadas à ansiedade, como urinar fora da caixa de areia. Outro comportamento que merece atenção redobrada é a lambedura excessiva.

Embora a lambedura seja um comportamento natural para os pets, ela pode indicar ansiedade quando se torna repetitiva e começa a causar lesões. “Ela deixa de ser normal quando se torna obsessiva e interfere na rotina do animal. Muitas vezes, é uma forma de aliviar estresse ou frustração”, explica o veterinário.

O perigo do antropomorfismo

O especialista alerta ainda para o risco do antropomorfismo, que é quando o tutor atribui emoções e comportamentos humanos ao animal de forma equivocada. “Comportamentos de ansiedade acabam sendo interpretados como ‘amor’ ou ‘dependência saudável’, o que dificulta o reconhecimento do problema e pode reforçar a hipervinculação”, comenta Yudi.

Prevenção e manejo da ansiedade em pets

Para prevenir a ansiedade em animais de estimação, a recomendação é manter uma rotina previsível, com horários definidos para alimentação, passeios e descanso. O enriquecimento ambiental também é essencial, oferecendo estímulos físicos e mentais adequados.

“Brinquedos interativos, atividades e tempo de qualidade ajudam a reduzir o estresse e melhoram o bem-estar”, orienta o veterinário. Essas práticas são fundamentais para manter o pet engajado e menos propenso a desenvolver quadros de ansiedade.

Quando buscar ajuda profissional

Em casos mais graves, onde os sinais de ansiedade são intensos ou comportamentos compulsivos e automutilação se manifestam, a orientação é clara: buscar ajuda profissional. “Quando há comportamentos compulsivos, automutilação ou sinais intensos de ansiedade por separação, é necessário acompanhamento com médico-veterinário e adestrador comportamental”, afirma Cláudio Yudi.

A falta de atenção aos sinais pode comprometer seriamente a saúde física e emocional dos animais. Reconhecer os indícios precocemente e investir em qualidade de vida são passos fundamentais para garantir o bem-estar e a felicidade dos pets.

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