Cão da raça Pug com dificuldade respiratória

Cientistas alertam: 15 raças de cães com risco de problemas respiratórios graves devido a rostos achatados

Pesquisadores de Cambridge revelam 15 raças de cães com alto risco de Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas Braquicefálicas (BOAS). Descubra quais são e os riscos.

Cientistas revelam as 15 raças de cães em risco de sérios problemas respiratórios – enquanto alertam que rostos achatados ‘fofos’ deixam os cães com uma vida inteira de sofrimento

Pesquisadores da Universidade de Cambridge lançaram um alerta preocupante para donos e futuros proprietários de cães: rostos achatados, frequentemente associados à fofura, podem resultar em uma vida inteira de sofrimento para os animais. Um estudo detalhado identificou 15 raças de cães com um risco elevado de desenvolver sérios problemas respiratórios devido à braquicefalia, condição caracterizada pelo encurtamento do crânio.

A síndrome conhecida como Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas Braquicefálicas (BOAS) é o foco dessa preocupação. Embora raças como o Bulldog, Bulldog Francês e Pug já fossem conhecidas por apresentarem essa condição, a nova pesquisa expandiu a lista, incluindo outras 12 raças que também correm riscos significativos. Essa descoberta é crucial para a saúde e o bem-estar animal, destacando a necessidade de maior conscientização sobre as consequências da criação seletiva de cães com características físicas extremas.

Raças em risco de problemas respiratórios graves

A pesquisa, publicada na revista PLOS One, analisou dados de 898 cães de 14 raças diferentes. Os cientistas mediram crânios, narizes, corpos e pescoços, além de avaliarem a presença de sintomas de BOAS após um teste de esforço. Os resultados revelaram que o formato encurtado do crânio, ou braquicefalia, pode levar a sibilos severos e dificuldade extrema para respirar, impactando diretamente a qualidade de vida dos animais.

Alto risco de BOAS foi identificado nas seguintes raças:

  • Buldogue
  • Buldogue Francês
  • Pug
  • Pequinês
  • Chin Japonês

Já as raças com risco moderado incluem:

  • King Charles Spaniel
  • Shih Tzu
  • Griffon de Bruxelas
  • Boston Terrier
  • Dogue de Bordéus

As raças com risco leve, mas ainda assim sob observação, são:

  • Staffordshire Bull Terrier
  • Cavalier King Charles Spaniel
  • Chihuahua
  • Boxer
  • Affenpinscher

É importante notar que o BOAS existe em um espectro. Enquanto alguns cães podem apresentar apenas sintomas leves, para outros, a condição pode ser debilitante, reduzindo significativamente a qualidade de vida e tornando-se um grave problema de bem-estar. Sintomas comuns incluem ronco alto, bufo, baixa tolerância ao calor, intolerância ao exercício e até vômito.

As causas e consequências da braquicefalia

Especialistas explicam que, para uma respiração normal, o nariz de um cachorro deveria ter pelo menos um terço do comprimento do seu crânio. Na braquicefalia, o focinho encurtado frequentemente esconde narinas estreitas, um palato mole longo e uma traqueia estreita. Isso resulta em dificuldades respiratórias severas, que podem se agravar em situações de estresse ou calor.

Além dos problemas respiratórios, a braquicefalia pode acarretar outras complicações de saúde:

  • Olhos: Devido às órbitas superficiais, os cães braquicefálicos são propensos a úlceras de córnea, lesões e prolapso ocular.
  • Pele: Dobras cutâneas excessivas podem levar a infecções crônicas e dermatites.
  • Dental: Dentes desalinhados ou superlotação são comuns devido à mandíbula pequena.
  • Reprodução: Muitas vezes, cesarianas são necessárias devido à pélvis estreita da mãe e à cabeça grande dos filhotes.

“O BOAS existe em um espectro. Alguns cães são apenas ligeiramente afetados, mas para aqueles que são mais graves, pode reduzir significativamente a qualidade de vida e tornar-se um sério problema de bem-estar.” – Dra. Fran Tomlinson, Universidade de Cambridge.

Casos graves de BOAS podem levar a desmaios, colapso e, em situações extremas, até à morte. A condição é hereditária, o que reforça a necessidade de intervenção na reprodução para mitigar os riscos nas gerações futuras.

O que futuros proprietários e criadores devem saber

A Dra. Jane Ladlow, coautora do estudo, enfatiza a importância de os criadores e potenciais proprietários estarem cientes dos fatores de risco. Essa conscientização pode auxiliar na seleção de cães com menor probabilidade de serem afetados pelo BOAS. Além disso, o conhecimento desses fatores pode informar juízes em exposições caninas, evitando que características prejudiciais à saúde sejam recompensadas, especialmente quando os cães vencedores se tornam populares para reprodução.

Uma avaliação respiratória é considerada a forma mais precisa de determinar o risco de BOAS e identificar cães que se beneficiariam de intervenção veterinária ou que não devem ser selecionados para reprodução. Embora cirurgias e controle de peso possam ajudar, a abordagem preventiva através da reprodução consciente é fundamental.

A crescente demanda por cães com características extremas, muitas vezes impulsionada por tendências de mídia social e celebridades, tem levado a um aumento preocupante de animais com problemas de saúde debilitantes. Abordagens de bem-estar animal recomendam evitar características como focinhos muito curtos, dobras cutâneas excessivas e olhos arregalados. Em última análise, a conformação extrema pode impedir um animal de viver plenamente a sua vida como um cão, resultando em sofrimento evitável.

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